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Portugal conserva detalhes fascinantes da religião judaica

Roteiro desvenda influências na arquitetura e na cultura

Com um legado histórico fascinante, Portugal encanta turistas de todo mundo pelos roteiros religiosos e também de imersão na História. Além da forte influência católica, já conhecida, Portugal também sofreu influências de outras religiões. Uma delas é o judaísmo, cujas características podem ser percebidas, principalmente, na arquitetura e na cultura de alguns locais. Para conhecer essa influência, é possível fazer passeios pelas judiarias, bairros onde os judeus costumavam se concentrar. Estes locais conservam detalhes fascinantes deixados por esse povo em diversas partes do país.

Em Lisboa, os turistas podem visitar a clássica Sinagoga Shaaré Tikvá que funciona como centro religioso em datas específicas, como no Iom Kipur o dia mais sagrado e solene do ano judaico e como escola nas outras épocas do ano.

No Centro do país está uma das mais antigas sinagogas de Portugal, a de Tomar. Construída no século XV, esta casa de orações foi erguida a pedido do infante D. Henrique e desativada em meados de 1496, devido ao decreto do rei D. Manuel I para conversão do povo judeu ao Cristianismo. Em 1921, o prédio foi declarado monumento nacional e 1939, um judeu polonês chamado Samuel Schwarz comprou a antiga sinagoda e a doou ao governo português para que se instalasse o Museu Luso-judaico Abraham Zacutto, até hoje à disposição do público.

Em Castelo de Vide, uma antiga judiaria do século XV, ao norte do Alentejo, atualmente com cerca de 3 mil habitantes, a cultura hebraica ainda é fortemente lembrada. No tempo da Páscoa cristã, por exemplo, os moradores saem de suas casas brancas com gerânios às janelas e caminham pelas ruas estreitas calçadas de pedras em direção à Igreja matriz para assistirem o abatimento de um carneiro em memória do cordeiro pascal. Durante este período, a população também come uma espécie de bolo de pão ázimo, assim como no tempo mosaico. É em Castelo de Vide ainda que fica o Largo Frederico Laranjo, onde há a Fonte da Vila, nascente de águas curativas bastante procurada por turistas de todo o mundo.

Em Belmonte, estão a sinagoga Bet Heliahu e o Museu Judaico. Construído para homenagear o judaísmo, o museu possui vários tipos de artefatos como o Mezuzah símbolo da fé judaica além de outros objetos simbólicos, como o Menorah candelabro de sete braços. O município é o único centro urbano onde subsiste uma comunidade judaica ativa, sem interrupções. São cerca de 200 pessoas, que representam quase 10% da população da vila.

Na cidade de Guarda, o viajante pode passear em um rico centro histórico que foi herdado da época medieval. Documentos indicam que esta antiga judiaria remonta do século XIII, quando D. Dinis entrega casas régias de S. Vicente a famílias judias e instala ali uma sinagoga. O passeio fica por conta do Museu da Guarda e pelas ruas silenciosas que conservam alguns traços dos tempos passados: casas baixas e térreas, onde ainda é possível encontrar marcas e sinais gravados nos umbrais das portas.

Também presente no roteiro de cidades históricas está Trancoso com um cenário medieval que oferece festividades com recriação de episódios históricos, como lutas de espadas, danças e cavaleiros, num elenco que reúne 250 figurantes, durante todo o ano. A cidade constitui uma das vilas mais importantes dos tempos remotos, devido a sua posição estratégica, a 900 metros de altitude, na defesa da fronteira do país nas batalhas contra a Espanha.

Não deixe de conhecer também Coimbra, a terra da mais antiga universidade de Portugal. Seu corpo docente teve relevante contribuição de judeus, que desenvolveram importantes estudos científicos, nas áreas da medicina, ciências exatas e botânica. Para conhecer melhor as influências hebraicas na cidade, o governo oferece um roteiro que sugere a visitação a antigas judiarias e os prédios dos tempos da Inquisição. Entre estes lugares, está a Fonte dos Judeus, construída no reinado de D. João V, próxima à Igreja de Nossa Senhora da Vitória, cujo templo foi erguido sobre o local ocupado por uma antiga comunidade judaica.

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Já em Porto, a visita é imprescindível para conhecer a evolução do judaísmo na história moderna. Até o século XIV, hebreus se espalharam pela cidade e conservaram a judiaria em Miragaia, quando por decreto de D. João I mudaram-se para o Morro do Olival, formando a chamada Judiaria Nova, hoje um vilarejo urbanizado. Nos anos 20 e 30 ainda, muitos judeus convertidos voltaram a praticar o judaísmo aberto no Porto, criando a sinagoga Kadoorie Mekor Haim e uma escola que funcionou no templo durante nove anos.

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Fotos: Márcio Pitliuk

Museu Judaico de Belmonte
Museu Judaico de Belmonte

Via: redacao@aftcomunicacao.com.br